A Câmara Municipal de Lisboa em parceria com uma associação de solidariedade social abre hoje, 10 de dezembro, o primeiro “apartamento de autonomização” para jovens LGBTI entre os 16 e os 23 anos.

Numa nota do gabinete do vereador responsável pelos pelouros da Educação e dos Direitos Sociais, Manuel Grilo (BE, partido que tem um acordo de governação da cidade com o PS), é referido que o apartamento irá hoje, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, numa parceria entre a autarquia e a Casa Qui – Associação de Solidariedade Social.

“Através do seu Gabinete de Apoio à Vítima para Juventude Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo (GAV – JLGBTI), a Casa Qui identificou a necessidade de uma valência de acolhimento para dar resposta a situações-tipo para as quais não há qualquer resposta a nível nacional”, lê-se na nota.

O apartamento será, assim, um “espaço seguro” para ajudar em situações de risco ou perigo, nomeadamente jovens que foram expulsos de casa depois de revelarem a sua “orientação sexual ou identidade/expressão de género”.

O apartamento, destinado a jovens entre os 16 e os 23 anos, terá dois quartos individuais para permanência até seis meses e outros dois para permanência até dois anos.

Haverá uma equipa técnica multidisciplinar e especializada do GAV – JLGBTI e de “parceiros estratégicos” para atuar “em situações de emergência/crise e em situações que possibilitarão construir com o/a jovem um projeto de autonomia de vida”.

No comunicado é ainda referido que várias associações portuguesas com intervenção LGBTI têm recebido, ao longo dos anos, relatos de situações de violência familiar, sendo que diversos estudos nacionais e internacionais revelam que os jovens LGBTI apresentam mais fatores de risco como “a rejeição e discriminação escolar, a falta de apoio parental e violência familiar”.

Situações que têm como consequência a diminuição da autoestima, aumento da depressão e isolamento, existindo uma maior propensão de jovens LGBTI se encontrarem em situação de sem-abrigo ou em instituições de acolhimento.

“Estes fatores são amplificados no caso de jovens LGBTI sem-abrigo/expulsos de casa, de acordo com estudos internacionais, sendo encontradas diferenças significativas quando comparados com os jovens heterossexuais ou cisgénero, como mais violência física e sexual familiar. Quando já nas ruas, são vítimas de maior discriminação por parte da polícia e dos próprios colegas de rua; recorrem mais frequentemente à troca de atividade sexual por alimentos, abrigo, dinheiro ou substância ilícitas; e mais expostos à infeção pelo VIH”, lê-se no comunicado.

Por outro lado, relatórios nacionais revelam que há poucos pedidos de ajuda por parte destes jovens às instituições oficiais e uma avaliação muito negativa das intervenções por parte daqueles que pediram ajuda.

Além disso, é ainda acrescentado, muitas vezes a razão para não existirem pedidos de ajuda é “o medo da vitimização secundária”.

Com esta resposta, a autarquia pretende “apresentar uma solução para as dificuldades sentidas por parte de jovens acompanhados e acompanhadas pela Casa Qui relativamente ao acolhimento, relação com as equipas técnicas e com os seus pares em espaços de resposta generalista, que têm levado ao abandono precoce desses apoios e o regresso à situação de violência ou de vulnerabilidade”, é salientado.

Notícia do Notícias ao Minuto


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